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Power bank preto e cabo USB-C ao lado do bolso externo de uma mochila

Guia

Power bank no avião: as regras da ANAC em 2026

O que mudou em 2026: quantos Wh pode levar, por que nunca vai na mala despachada, quantas unidades e o que a ANAC passou a proibir durante o voo. Com a conta...

21 de outubro de 2026·5 min de leitura

A regra do power bank em voo mudou em 2026, e mudou no ponto que mais incomoda: o uso a bordo. Quem viajava carregando o celular durante o voo precisa rever o hábito.

Este guia reúne o que vale hoje no Brasil, com os números exatos e a conta que quase ninguém faz — a de transformar mAh em Wh, que é a unidade que a fiscalização realmente usa.

As cinco regras que valem sempre

  1. Só na bagagem de mão. Nunca na mala despachada — isso não é recomendação, é proibição.
  2. Até 100 Wh: liberado, sem autorização.
  3. De 101 a 160 Wh: só com aprovação prévia da companhia.
  4. Acima de 160 Wh: não embarca.
  5. Máximo de 2 unidades por passageiro, e cada companhia pode ser mais restritiva.

A base normativa é a Instrução Suplementar nº 175-001 da ANAC, que trata do transporte aéreo de artigos perigosos.

Por que ele não pode ir na mala despachada

A razão é direta: no porão, ninguém vê e ninguém alcança. Bateria de lítio em pane térmica produz fogo que se realimenta, e a tripulação precisa conseguir chegar até ele.

Daí vem um detalhe prático que pega muita gente: se a sua mala de mão for recolhida no portão — aquele momento em que o bagageiro de cabine lotou — você precisa tirar o power bank antes de entregar. Deixe sempre acessível, não no fundo.

Dois power banks de tamanhos diferentes ao lado de um celular, como referência de escala
Bolso externo da mochila, não o fundo da mala: o power bank precisa estar ao alcance da mão.

O que mudou em 2026: o uso durante o voo

Em abril de 2026 a ANAC divulgou uma atualização das regras de artigos perigosos. Vale separar o que é proibição do que é recomendação, porque a diferença importa:

  • Proibido: recarregar o power bank durante o voo — ou seja, ligá-lo na tomada da aeronave para encher a bateria dele.
  • Recomendação da ANAC: não usar o power bank para carregar celular e outros aparelhos a bordo.

Acontece que várias companhias foram além da recomendação e transformaram em regra própria:

  • LATAM — desde 15 de abril de 2026, o power bank só pode ser transportado, não usado. Deve ficar com o passageiro, fora do bagageiro superior.
  • Azul — proíbe o uso durante o voo.
  • GOL — passou a adotar as regras a partir de 4 de maio de 2026.

Na prática: trate como se não pudesse usar a bordo. Chegue com o celular carregado e use o power bank em terra.

A conta que ninguém faz: de mAh para Wh

A embalagem do seu power bank anuncia mAh. A regra fala em Wh. São unidades diferentes, e converter é simples:

Wh = (mAh × tensão em volts) ÷ 1.000

Quase toda célula de lítio trabalha em torno de 3,7 V. Usando esse valor:

Capacidade Equivale a Situação
5.000 mAh ~18,5 Wh Liberado
10.000 mAh ~37 Wh Liberado
20.000 mAh ~74 Wh Liberado
27.000 mAh ~100 Wh No limite
30.000 mAh ~111 Wh Só com autorização

A leitura que importa: os power banks que a maioria das pessoas carrega — 5.000 e 10.000 mAh — estão folgadamente dentro do limite. O problema começa nos modelos gigantes, de 30.000 mAh para cima, feitos para notebook.

Se o seu aparelho tem o valor em Wh impresso na carcaça, use esse número: ele vale mais que a sua conta.

Como embalar para não ter problema no raio-X

  • Proteja os terminais. Estojo, embalagem original ou fita isolante nos contatos. O risco que a regra quer evitar é curto-circuito por contato com chave, moeda ou outro metal solto.
  • Deixe acessível. Em bolso externo da mochila, não no fundo.
  • Leve a capacidade visível. Se a etiqueta estiver apagada, o agente pode barrar por falta de informação.
  • Não leve inchado ou amassado. Bateria deformada é motivo de recusa, e com razão.

Qual tamanho faz sentido levar

Para viagem, o ponto de equilíbrio costuma estar nos 10.000 mAh: enche um celular moderno pelo menos uma vez e meia, cabe no bolso da mochila e nem chega perto do limite regulatório.

Os 5.000 mAh fazem sentido para quem viaja leve ou quer um segundo aparelho só para emergência — e são os mais fáceis de carregar no bolso o dia inteiro.

Se o seu celular tem MagSafe ou Qi2, a versão magnética resolve um problema específico de viagem: carregar andando, sem fio solto no corredor do aeroporto.

Perguntas frequentes

Posso levar power bank em voo internacional?

Pode, seguindo os mesmos limites de Wh. Companhias estrangeiras têm regras próprias — algumas proíbem o uso durante toda a viagem. Confira no site da companhia antes de embarcar.

Quantos power banks posso levar?

Dois por passageiro, para uso pessoal. Algumas companhias permitem mais, outras menos.

Posso carregar o celular no power bank dentro do avião?

A ANAC recomenda que não. LATAM e Azul proíbem expressamente. Trate como proibido.

E recarregar o power bank na tomada do assento?

Isso é proibição, não recomendação. Não pode.

Meu power bank não diz quantos Wh tem. O que faço?

Faça a conta: mAh × 3,7 ÷ 1.000. Guarde o resultado anotado ou tire uma foto da etiqueta com a capacidade.

Fone sem fio e relógio contam nesse limite?

Aparelhos com bateria embutida seguem outra classificação e podem ir normalmente. O limite tratado aqui é para baterias sobressalentes, que é o caso do power bank.

Antes de fechar a mochila

Power bank na mão, nunca despachado. Capacidade dentro de 100 Wh. Terminais protegidos. E celular carregado antes de embarcar, porque a bordo você provavelmente não vai poder usar.

Regras de artigos perigosos são revisadas com frequência e cada companhia pode apertar mais. Na dúvida, a página da sua companhia aérea é a palavra final.

Veja a coleção de acessórios ou leia sobre alça de celular, o outro acessório que muda uma viagem — mapa e passagem sempre à mão, sem abrir a mochila a cada quadra.